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IAC e Campo Largo: por que a superfície é o minério

O depósito de argilito de adsorção iônica do Sul do Brasil e o que ele muda na equação fundiária para terras raras

2026-05-27·11 min

TL;DR

Ion-Adsorption Clay (IAC) é o tipo de depósito que produz 90% das terras raras pesadas e médias do mundo, e quase todo esse volume vem de Jiangxi, China. O depósito Campo Largo PR (Core Energy ASX:CR3, mai/2026) tem 1.272 ppm TREO com 46% MREO: teores compatíveis com Jiangxi. A diferença com hard-rock é estratégica: em IAC, a superfície é o minério, sem mina de toca, sem explosivos, sem concentrador. Quem controla a superfície controla o depósito. Gridmapify mapeia esses proprietários antes de qualquer negociação.

O que é Ion-Adsorption Clay (IAC)?

Depósitos de terras raras se dividem em dois grandes tipos geológicos: hard-rock (carbonatitos como Bayan Obo/China e Mountain Pass/EUA, fluorocarbonatos, fosfatos) e IAC, Ion-Adsorption Clay. Os dois tipos têm geoquímica e logística de extração completamente distintas.

Em IAC, os íons de terras raras estão adsorvidos eletricamente na superfície de argilas intemperizadas, tipicamente caolinita e haloisita, que se formam pelo intemperismo profundo (lateritização) de granitoides e gnaisses ricos em ETR. Não há minério cristalino a ser detonado e concentrado. O ETR está na argila superficial, a 0–30 m de profundidade, dissolvido diretamente com solução de sulfato de amônio ou cloreto de sódio por lixiviação in-situ ou por heap leach.

[FATO] Os depósitos IAC de Jiangxi, Guangdong e Yunnan (China) respondem por aproximadamente 85–93% da produção mundial de HREE/MREE(Heavy e Medium Rare Earth Elements: Eu, Gd, Tb, Dy, Ho, Er, Tm, Yb, Lu, Y, Nd pesado). Os carbonatitos dominam LREE (La, Ce, Pr) mas produzem muito pouco Dy e Tb, os elementos mais estratégicos para imãs permanentes NdFeB de tração elétrica.

Hard-Rock REE
  • ·Carbonatitos / fosfatos / fluorocarbonatos
  • ·Concentração: flotação + cracking ácido
  • ·Capex: US$ 500M–2B por mina
  • ·Prazo: 10–15 anos licença → produção
  • ·LREE dominante (La, Ce, Pr, Nd leve)
  • ·Dy e Tb: traços (<2% TREO)
Ion-Adsorption Clay (IAC)
  • ·Laterita intemperizada sobre granitoides
  • ·Extração: lixiviação in-situ ou heap leach
  • ·Capex: US$ 20–80M por projeto
  • ·Prazo: 3–6 anos exploração → produção
  • ·MREO/HREE enriquecido (Dy, Tb, Gd, Y)
  • ·Dy + Tb podem atingir 8–15% TREO

Campo Largo PR: 1.272 ppm TREO, 46% MREO

[FATO, fonte ASX disclosure Core Energy Minerals CR3, mai/2026] O projeto Campo Largo, no Paraná, é operado pela Core Energy Minerals Ltd(ASX:CR3), empresa australiana que atua no Brasil via subsidiária Mineração Remo LTDA(CNPJ 52.660.642/0001-10). O projeto faz parte do portfólio de 71 processos ANM distribuídos em 6 estados brasileiros (RS, GO, PB, PR, RN, PI) com total de ~100.621 ha sob pesquisa.

Os resultados analíticos divulgados indicam: 1.272 ppm TREO (Total Rare Earth Oxides) com 46% MREO (Medium Rare Earth Oxides, fração Eu, Gd, Tb, Dy, Ho, Er, Tm, Yb, Lu, Y).

1.272 ppm
TREO total
Total Rare Earth Oxides
46%
Fração MREO
Médios + pesados
IAC
Tipo depósito
Argilito intemperizado
ASX:CR3
Operador
Core Energy Minerals

[ESTIMATIVA] Para contexto de benchmarking: depósitos IAC de Jiangxi de classe “medium grade” operam com 800–1.500 ppm TREO. Campo Largo está dentro dessa faixa. O diferencial estratégico é a proporção MREO/TREO de 46%, a maioria dos depósitos IAC da China fica entre 30–55%, sendo que acima de 40% MREO é considerado “heavy-enriched”, o perfil mais valioso para cadeia de imãs NdFeB.

[INFERÊNCIA] A parceria MoU da CR3 com a INB, Indústrias Nucleares do Brasil(empresa estatal vinculada ao MME) sugere que o portfólio inclui processos com anomalias de urânio e tório associadas ao ETR, padrão em granitoides do Cinturão Dom Feliciano no RS e no Grupo Itararé no PR. INB tem interesse no componente radioativo; CR3 no REE. A estrutura de MoU captura os dois fluxos de valor.

Por que “a superfície é o minério” em IAC

Esta é a diferença estrutural que muda toda a equação fundiária:

Em um projeto de carbonatito hard-rock, a mineração vai para dentro da terra. A superfície é perturbada na área de poço e pilha de estéril, mas o recurso econômico está a centenas de metros de profundidade. A relação com o proprietário da superfície é de servidão de passagem e negociação de valor de perturbação, não de transferência do ativo mineral.

Em IAC, a mineralização é a própria camada superficial de solo laterítico. A lixiviação in-situ injeta solução em poços rasos (0–15 m) e coleta o licor rico em ETR em calhas de base. A alternativa heap leach escava e empilha a argila, mas o “minério” em ambos os casos é o solo superficial, não a rocha em profundidade.

[INFERÊNCIA] Isso significa que o proprietário da superfície controla o acesso ao depósito de forma muito mais direta do que em hard-rock. Não há distinção legal clara no Brasil entre propriedade da superfície e licença de lavra de solo laterítico, o que cria tanto uma oportunidade (servidão mais direta) quanto um risco (oposição fundiária mais imediata).

O Sul do Brasil como próxima fronteira IAC

[HIPÓTESE, baseada em analogia geológica] A formação de depósitos IAC requer três condições: (1) rocha-fonte granítica ou gnáissica rica em ETR, (2) intemperismo profundo tropical a subtropical com lateritização, (3) ausência de erosão excessiva que remova o perfil laterítico.

O Cinturão Dom Feliciano, faixa tectônica Neoproterozoica que atravessa RS e SC na direção NE-SW, atende à condição (1): granitoides pós-colisionais (610–590 Ma) com assinatura geoquímica A-type frequentemente enriquecidos em HREE. As condições (2) e (3) são mais favoráveis nas porções sul de PR e norte de RS, onde o intemperismo laterítico quaternário foi preservado nos relevos planálticos.

[FATO] Os 28 processos da CR3/Remo em Encruzilhada do Sul RS (~49.147 ha) estão sobre o Cinturão Dom Feliciano. Os processos em Campo Largo PR estão sobre o Grupo São Roque / Granitoides Curitibanos. Ambas as unidades têm histórico de anomalias de ETR em levantamentos geoquímicos regionais do CPRM (Serviço Geológico do Brasil).

Clusters IAC identificados · Sul do Brasil · 2026

Encruzilhada do Sul RSCR3/Remo · 28 procs
49.147 haativo
Campo Largo PRCR3/Remo · CR3 disclosure
~8.000 ha est.ativo
Xanxerê SCRTB Geologia · processos ANM
~12.000 ha est.pesquisa
Nordeste SC (São Gabriel)São Gabriel Mineração
10.429 hapesquisa

[ESTIMATIVA] Ha estimados para São Gabriel e Xanxerê baseados em processos ANM. Dados CR3: ASX disclosure mai/2026.

[ESTIMATIVA] Se o padrão de Jiangxi se replicar no Sul do Brasil, os próximos depósitos a serem confirmados estarão nas zonas de lateritização profunda das bordas dos planaltos gaúcho e catarinense, não nas serras (erosão excessiva) nem nas várzeas (sedimentos aluviais sem rocha-fonte ETR). As mesorregiões do Planalto das Araucárias (SC) e da Serra Gaúcha (RS) são candidatas geológicas prioritárias para prospecção IAC.

Gridmapify como solução fundiária para IAC deposits

A equação fundiária de um projeto IAC no Sul do Brasil é mais complexa do que parece. Os processos ANM cobrem polígonos de 500–5.000 ha contínuos, mas a propriedade da terra subjacente é tipicamente fragmentada em fazendas de 50–800 ha, resultado de décadas de partilha hereditária, desmembramentos e posses consolidadas.

[ESTIMATIVA] Para um cluster de 5.000 ha no Pampa gaúcho, estimamos 40–120 proprietários distintos: PFs com CPF simples (campo nativo familiar), holdings rurais (espólio não inventariado), fazendas de arrendamento (proprietário distante, posseiro local), e eventualmente um ou dois latifúndios (> 500 ha).

Gridmapify entrega o mapa completo desses proprietários via cruzamento de:

  • ✓CAR Rural, Cadastro Ambiental Rural, geometria de imóvel com CPF/CNPJ proprietário
  • ✓INCRA, Polígonos georreferenciados certificados + matrícula de imóvel rural
  • ✓Matrículas ONR, Matrículas com dono, área e tipo de uso
  • ✓Registro empresarial, Qualificação do proprietário (PF simples / espólio / holding)
  • ✓Score de prontidão, Probabilidade de negociação rápida por tipo de proprietário

O entregável final é um shapefile + dashboard Leaflet com cada polígono de propriedade colorido por score de prontidão, lista de proprietários com contato estimado, e sequenciamento de abordagem otimizado por custo × resistência × área × restrição ambiental.

Por que 46% MREO é o número que importa

O mercado de terras raras não é homogêneo. Lantânio (La) e Cério (Ce) respondem por ~75% da massa de TREO em carbonatitos mas têm preços de US$ 2–5/kg de óxido. Disprósio (Dy) e Térbio (Tb), os elementos mais críticos para imãs NdFeB de alta temperatura em motores EV, valem US$ 200–400/kg de óxido (2024–2026).

[ESTIMATIVA] Para um depósito com 1.272 ppm TREO e 46% MREO, assumindo composição MREO típica de IAC (Dy ~3%, Tb ~0.5%, Y ~50%, demais MREE): o valor de venda por tonelada de argila seria 5–8x maior do que um depósito com mesmo TREO mas perfil LREE (La+Ce >70%).

[HIPÓTESE] O motivo pelo qual a CR3 firmou MoU com a INB, em vez de buscar um parceiro puramente privado, pode estar na necessidade de licença de operação para material radioativo associado (urânio e tório em granitoides do Dom Feliciano). A INB é a única empresa autorizada pelo CNEN a operar com esses materiais no Brasil. Sem esse acordo, um processamento doméstico de concentrado ETR com anomalia U/Th seria impossível legalmente.

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Tem processos ANM sobre IAC potential?

Gridmapify mapeia os proprietários da superfície
antes da negociação de servidão

CAR + INCRA + matrículas ONR · Score prontidão por proprietário · Prazo 21 dias úteis

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