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As usinas de água do Sul: o que a hidrelétrica faz com o território

Do rio Uruguai às PCHs catarinenses, potência, reservatório, servidão e a matrícula que some debaixo d'água

2026-06-03·9 min

TL;DR

Santa Catarina e Rio Grande do Sul são movidos a água: as grandes UHEs do rio Uruguai (Itá, Machadinho, Foz do Chapecó, Barra Grande, Campos Novos) na divisa dos dois estados, as bacias do Jacuí e Taquari-Antas no RS, e mais de 250 pequenas centrais em SC. Cada usina redesenha o território, reservatório, APP de entorno, faixa de servidão de transmissão e desapropriação. É exatamente isso que uma matrícula revela.

O Sul movido a água

A energia do Sul nasce, em boa parte, da água. O rio Uruguai, que separa Santa Catarina do Rio Grande do Sul, abriga um dos maiores complexos hidrelétricos do país, e cada barragem é também um evento territorial: terra que vira lago, faixas que viram servidão, matrículas que mudam de mão.

[INFERÊNCIA] Para quem compra ou desenvolve terra no Sul, a usina não é só geração de energia, é um vizinho que define APP, restrição de uso e oportunidade de conexão. Mapear isso antes do cheque é o que separa o bom negócio do litígio.

As gigantes do rio Uruguai

[FATO] As grandes UHEs do Uruguai e afluentes somam milhares de MW na divisa SC/RS: Itá (1.450 MW), Machadinho (1.140 MW), Campos Novos (880 MW), Foz do Chapecó (855 MW), Barra Grande (690 MW) e Quebra-Queixo (120 MW). Operadores como Engie, consórcios BAESA e ENERCAN e a Foz do Chapecó Energia respondem por elas. Fonte: ANEEL/SIGA e operadores.

[FATO] Cada reservatório alagou dezenas de quilômetros quadrados e exigiu desapropriação e reassentamento, um histórico que aparece na cadeia de matrículas dos municípios ribeirinhos (de Itá a Campos Novos).

O RS e as bacias do Jacuí e Taquari-Antas

[FATO] No Rio Grande do Sul, o sistema CEEE-G reúne usinas na bacia do Jacuí (Itaúba, Passo Real, Dona Francisca, Jacuí), e a CERAN opera a cascata do Taquari-Antas (Monte Claro, Castro Alves, 14 de Julho). Fonte: ANEEL/operadores.

[FATO] A enchente de maio de 2024 atingiu barragens e geração no RS: a UHE 14 de Julho teve rompimento parcial e usinas do Jacuí ficaram paradas, com a ANEEL acompanhando a segurança das estruturas (notas ANEEL 2024–2025). É o lembrete de que o ativo hídrico carrega risco hidrológico real.

As pequenas que somam: PCH e CGH

[FATO] Santa Catarina tem mais de 250 pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e centrais geradoras (CGH) em operação, somando perto de 1 GW, espalhadas pelos rios da Serra, do Vale do Itajaí e do Oeste. Fonte: ANEEL/SIGA.

[INFERÊNCIA] A PCH é um ativo de menor porte e licenciamento mais simples que a grande UHE, e o entorno (terra, queda d'água, acesso à rede) é justamente território mapeável lote a lote.

O que a usina faz com a terra

[FATO] Reservatório gera APP: o Código Florestal exige faixa de proteção no entorno de reservatórios artificiais (tipicamente de 30 a 100 m em área rural, conforme o caso), e há divergência jurídica recente sobre sua aplicação (decisões do STJ em 2026). É restrição de uso que pesa no valor do lote.

[FATO] Linha de transmissão gera servidão: a faixa de servidão (da ordem de dezenas de metros, conforme a tensão) restringe construção e é indenizada, e fica registrada na matrícula.

[INFERÊNCIA] É por isso que, perto de uma usina, a pergunta certa não é só 'quanto custa o hectare', mas 'o que a matrícula, a APP e a servidão dizem sobre o que dá para fazer aqui'. Essa é a leitura que entregamos, do cadastro ao número final.

#energia#hidreletrica#sc#rs#territorio
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